Diário d'Inês

domingo, novembro 27, 2011

Capacidade de Encaixe


    Admiro a capacidade de encaixe que o sexo oposto a mim consegue ter. Encaixam realmente bem. Mas o que é isto afinal de capacidade de encaixe? Realmente, deve ser encaixar qualquer coisa, pensam eles. E realmente eles pensam, ou fazem algo semelhante por achar que precisam de um manual de instruções feminino. 
    Ora, meus caros, nós não temos a culpa que vocês encaixem aquilo que querem encaixar e não realmente aquilo que devem. Como eu dizia no outro dia, há aqueles que não vêm nada e há outros que só vêm aquilo que querem. Não sei o que é melhor. Mas há mais horizontes por aí, que estão dispostos a encaixar em vocês, ou quem sabe vocês neles… basta alargarem um bocadinho a vossa imaginação. Nós mulheres nem sempre que falamos, ou quando dizemos uma piada, ela se refere especificamente a alguém, ou ao nosso querido sexo oposto. Nós felizmente possuímos um diálogo muito abrangente. Então e o que devem realmente encaixar, vai para onde? Que raio… Gostava de saber onde se perde esse dever, que nunca o chego a encontrar. Uma pena é que realmente, às vezes o que é para encaixar é o que vocês não querem, e como tal... eis o problema da capacidade de encaixar o que os meninos não querem. E quando falamos mesmo para vocês, convém perceber e não estar a pensar apenas em encaixar cenas e coisas, pequenas coisas. Cenas e coisas que vos convém ou pequenas coisas tais como 11 minutos. Muitas vezes o vosso dia gira em torno disso, dias perdidos!
    Por vezes acho que se vocês morrerem aos oitenta, apenas vivem quarenta, há pala dos 11 minutos. Encaixam bem, não importa a quem. Existe um método antigo, que é o desenho, usado mesmo antes da escrita, será que isso resultava? Mesmo assim, acho que se encaixava noutro lado qualquer, perdido nos vossos pensamentos ou não pensamentos. Provavelmente iriam procurar na secção “desenho” do manual feminino e muito provavelmente o resultado era o mesmo: encaixavam realmente bem. Hummm… vocês até sabem, que a moeda tem dois lados, porque às vezes apenas vêm um? Mais uma vez, alargar horizontes e tal... Caríssimos, a capacidade de encaixe não se resume estritamente a conversas, podemos vos apresentar os cinco sentidos um dia destes. Tirando um deles que vocês até adoram e certamente já conhecem. Ah! Peço desculpa, falei para o ar e isto agora vai encaixar onde não deve. Ora bolas, que chatice!! Por favor, comecem a encaixar bem. Certamente têm de alargar mais a vossa capacidade de encaixe. Ou será que somos nós que temos de diminuir a nossa?

PS. Encaixar realmente bem, para os mais distraídos, era ironia.

Saudações irónicas.

Fado património da humanidade

   No dia que muitos falam do futebol, eu gostaria de referenciar não só o meu gosto musical pelo Fado, mas o meu grande orgulho deste ser hoje Património Imaterial da Humanidade. A candidatura do género musical português foi aprovada este domingo durante o VI Comité Intergovernamental da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. A UNESCO distingue o fado enquanto tradição e expressão da identidade da cultura do país.Os peritos da Organização avaliaram o processo de candidatura português como exemplar. É motivo de orgulho para todos os portugueses, é motivo de orgulho para o país. E isto sim, é uma notícia. 

   Dos meus fados preferidos, dois quais destaco Vicente da Câmara - Moda das tranças pretas, Carlos do Carmo - Lisboa menina e moça e Canoa do Tejo, vou deixar aqui uma muito conhecido da Grande Amália Rodrigues, que penso ser o mais adequado para celebrar este dia. Escolher um fado da Amália Rodrigues, para mim, não é fácil, uma vez que gosto muito de todos. Uma pequena homenagem a esta grande fadista, que hoje certamente gostaria de presenciar este momento. Uma grande mulher, que levou o nome de Portugal além fronteiras.

Tudo isto é fado


Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado

Disse-te que não sabia                                 
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
Disse-te que não sabia
Mas vou-te dizer agora

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras                      
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado

Se queres ser o meu senhor
E teres-me sempre a teu lado
Nao me fales só de amor
Fala-me também do fado
E o fado é o meu castigo
Só nasceu pr'a me perder
O fado é tudo o que digo
Mais o que eu não sei dizer.

Amália Rodrigues.

Saudações Fadistas.

Hard


sábado, novembro 26, 2011

Solidariedade

   Estamos quase em Dezembro, época natalícia. Existem palavras chaves que me fazem lembrar esta época: família, união, amor, paz, natal, solidariedade. E é um bocadinho sobre solidariedade que quero falar hoje, não só porque se enquadra na época, mas porque é algo que nos devemos lembrar durante todo o ano.
   Nesta época existem várias instituições que promovem "o ser solidário" e penso que devemos aproveitar esta oportunidade quando há pessoas que se preocupam, voluntários que estão dispostos a despender do seu tempo para ajudar alguém. Volto a repetir: voluntários.
   Em alguns locais, as instituições estão em stands a "vender" agendas, livros, canetas, porta-chaves, entre outras coisas e muitas vezes não têm preço fixo, a pessoa ajuda com a quantia que puder dar. Nestes dias, decorre também a campanha do banco alimentar contra a fome, onde existem voluntários a dar um saquinho à entrada dos supermercados, para as pessoas oferecerem mantimentos a quem passa realmente fome. Não usem desculpas como: "sei lá para onde vai o dinheiro", hoje em dia as coisas não se processam como há vinte anos atrás, existe informação, fiscalizações e trabalho que se vê fazer. Se pode dar, se pode oferecer escolha uma instituição e faça-o, porque não se vai arrepender.

  Todavia, as pessoas podem ajudar todo o ano, de variadissimas formas e muitas não dependem de gastar dinheiro, pelo que deixo os seguintes links abaixo para verem algumas maneiras de ajudar. Eu já ajudei de várias formas. Já dei roupa a várias instituições e directamente a meninos que precisavam, já dei mobílias a casais jovens sem possibilidades de comprar. Envio e-mails de divulgação para adopção de animais abandonados e compro todos os anos uma agenda ou um porta-chaves a uma instituição. Para o fazer bastou ter vontade e perguntar na Câmara Municipal do meu município as instituições e locais onde poderia fazê-lo. 
 Altura do Natal, altura de comprar prendas e enviar cartões de natal. Pensem se não ficava bonito oferecer presentes ou cartões de uma instituição, presentes que muitas vezes são essas pessoas necessitadas que os  fazem e talvez seja um presente com muito mais valor. Um presente, um cartão solidário mostra a imagem que todos deveríamos ter do Natal. São apenas ideias, entre estas há muitas outras mais, basta ter vontade.

"Faz o bem e não olhes a quem".

  Sei que hoje em dia a crise é desculpa para tudo o que se está a passar, mas se pensarmos bem gostava que fossem realmente ao fundo das seguintes questões: você não dispensaria de um café, que custa em média 60centimentos, para oferecer uma lata de salsichas a uma criança que passa fome? Não dispensaria de todas as roupas que tem que já não usa para alguém que realmente tenha pouco ou nada para vestir? Deitar fora uma mantinha rota, quando há um cão que passa frio? O comodismo e o amor às roupas usadas vale realmente a pena quando há tantas pessoas a passar necessidades? Lembre-se também que há pessoas que não têm ninguém e apenas cinco minutos de companhia mudava a sua vida. Há quem precise realmente de nós e basta ter um bom coração.

  Há sempre quem precise de nós e se por acaso é você que precisa de alguém, por favor, comunique. Comunique a alguém ou alguma instituição porque não devemos ter vergonha daquilo que somos!

   Já me disseram que tenho um coração do tamanho do mundo, mas não tenho e até está muito longe disso. Apenas tenho um coração que me permite amar qualquer coisa ou alguém, que me permite ajudar os outros, ajudar os que mais precisam. E com isto, já me alonguei demais no texto, mas espero que toque, nem que seja uma pontinha, nos corações de todos vós.

 Porque hoje são eles, amanhã podemos ser nós.


Saudações solidárias.

quinta-feira, novembro 24, 2011

The departed

 O filme "The Departed" de 2006, é um filme realizado por Martin Scorsese, um dos meus realizadores preferidos, com a participação de Leonardo Dicaprio, Matt Damon e Jack Nicholson. Geralmente, todos os filmes de Scorsese têm um enredo forte e muitas vezes com finais surpreendentes. Apenas vi o filme no passado fim de semana, uma vez que nos últimos tempos e por ter vindo para Évora, deixei de ir ao cinema como ia antes o que me levou a "viciar" em séries. No entanto, agora estou de volta aos filmes, mais propriamente aos de Triller, Drama e Mistério, sendo os filmes com estas três características, os meus preferidos. Mesmo assim, gosto de ver outro género de filmes, do estilo aventura e fantasia, deixando o destaque para Piratas das Caraíbas e Harry Potter, que venero.

  Sinopse: Este filme conta a história de um chefe da máfia irlandesa, Francis "Frank" Costello que faz com que Colin Sullivan seja um informante dentro da Polícia Estadual de Massachussetts. Simultaneamente, a polícia infiltra William "Billy" Costigan no grupo de Costello. Quando ambos os lados percebem a situação, ambos os homens tentam descobrir a identidade do outro, antes que o seu próprio disfarce seja revelado. O filme gira em torno desta história, acabando por ter um romance à mistura.
  Classificação: No imdb o filme tem um classificação de 8.5, mas eu apenas dou 7.5, não sei se por estar à espera de mais, ou ter feito mais expectativas. No entanto, o filme ganhou quatro Óscares: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Edição. Um filme certamente para ver, deve fazer parte da nossa lista de "vistos", porque vale bem a pena as duas horas e meia, tem bons actores que desempenham muito bem o papel com um grande realizador.
  De seguida apresento o trailer que escolhi por achar que melhor representa o filme e a banda sonora que mais gostei durante o filme.
Curiosidade: O filme é um refilmagem do Mou gaan dou (titulo original), filme japonês, como tradução The Infernal Affairs ou Infiltrados.

Saudações cinematográficas ;)

segunda-feira, novembro 21, 2011

Pequena homenagem

   Dá sempre um aperto no nosso coração, quando se perde alguém que fez parte da nossa vida. Custa sempre qualquer coisa e às vezes mais que isso. Foi uma pessoa que esteve ao meu lado durante toda a minha infância e que, apesar do últimos anos estarmos mais afastados, acompanhou parte da minha vida até hoje. 
   Era um grande amigo dos meus pais e mais que isso, era o pai de dois grandes amigos meus.  E um amigo é tudo para mim. Passei grandes momentos contigo e foram enormes as gargalhas, desde as maluquices da passagem de ano, os piqueniques, as idas à praia e até às simulações de "guerras" em pleno autoestrada. Tenho momentos que jamais serão possíveis esquecer. 
   É pena que nos funerais portugueses não nos deixem falar um bocadinho, como última homenagem, porque muitas vezes seriam desabafos que nos valeriam a nossa paz de espírito. Continuo a preferir os funerais americanos, onde nos podemos despedir com mais rigor e celebrar toda a vida daquela pessoa, aqui parece que "celebramos a morte". 
   Portanto, como não gosto disso, devemos lembrar-nos do que a pessoa foi e mais ainda, daquilo que fomos quando estivemos com ela. Desejo força aos meus dois grandes grandes amigos, que estarão sempre no meu coração. Vamos viver todos os dias como se fossem o último, certamente um dia vai ser. Estou aqui hoje, para deixar esta pequena homenagem e esta força, porque certamente era merecida.

Saudações brancas.

sábado, novembro 19, 2011

Aprender a subtil diferença


"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos, presentes não são promessas. E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependeras pelo resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida. Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos. Aprendes que paciência requer muita prática. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento, condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes. E, finalmente, aprendes que o tempo, não é algo que possa voltar para trás. PORTANTO, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores... E percebes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! E só nos faz perder o bem que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"

Susana Tamaro

quinta-feira, novembro 17, 2011

11 Minutos

  Hoje venho falar do primeiro livro que li, logo após a fase da adolescência, onde apenas lia os livros que todos conhecem "uma aventura". Nunca fui muito de ler, até há bem pouco tempo e hoje sinto falta de ler. As primeiras coisas que li, eram histórias de banda desenhada da Turma da Mônica, de Maurício de Sousa, ao que chamam "gibis da Turma da Mônica" no Brasil. Tenho hoje a agradecer à minha grande amiga Vera, que entrou na minha vida há cerca de dez anos e hoje é uma das minhas melhores amigas. Foi ela, como boa leitora que é (pois lê dos mais variados generos de livros) e por me cunhecer tão bem, que disse que me ia convencer a começar a ler. Assim, recomendou-me o livro "Onze Minutos" de Paulo Coelho e realmente acertou, o livro prendeu-me desde o primeiro instante que o li. 

   O livro retrata a história de uma rapariga que está cansada da sua vida na terra natal, decidindo ir rumo à Suiça, com o objectivo de uma vida melhor. Chegada à Suíça, é conduzida inesperadamente para o mundo da prostituição. O livro gira em torno desse mundo e de um amor que acaba por acontecer. É um livro que nos dá uma verdadeira noção do mundo da prostituição, tudo o que ela envolve e o modo como é praticada. Absorvemos realidades que talvez nunca tenhamos pensado nelas. É impressionante ler coisas tão intimas e pessoais de uma mulher escritas por um homem. Dá que pensar, toda a sociedade muita vez girar em volta dos 11 minutos.
Fica aqui o meu voto para este livro e quem nunca o leu, que perca um tempinho, porque certamente valerá a pena. Deixo aqui uma frase que nunca mais esqueci:

Embora meu objectivo seja compreender o amor, e embora sofra por causa das pessoas a quem entreguei meu coração, vejo que aqueles que me tocaram a alma não conseguiram despertar meu corpo, e aqueles que tocaram meu corpo não conseguiram atingir minha alma. - Paulo Coelho em 11 Minutos.

 Saudações literárias :)

quarta-feira, novembro 16, 2011

Sintetizados num eu postiço

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.

                                                                                                                                    Fernando Pessoa

terça-feira, novembro 15, 2011

Pequenas Saudades

Apenas pequenas saudades. Saudades dos meus pés na areia. Saudades de ouvir as ondas do mar. Saudades do silêncio do campo. Saudades do rio. Saudades de nadar. Do meu corpo na água. Da neve. De guerras de bolas de neve. Do meu corpo ao sol. Saudades de momentos. De rir. De chorar de tanto rir. Das gargalhadas. Saudades de cantar. De gritar bem alto. Saudades de correr. De correr pelo campo. De guerras de almofadas. Saudades de sonhar. Saudades de querer. Saudades da sinceridade. De respeito. Saudades de um telefonema. De um desabafo. Saudades de bom dia. Saudades de compartilhar. Saudades de uma simples sms. Saudades de viajar. Saudades de um pequeno almoço. De cupcakes. Saudades de um jantar. De ler um livro. Saudades de sentir. De fugir. De saltar. De caminhar. De passear. De olhar as estrelas. De sair até ser dia. De adrenalina. De surpresas. De dançar. De andar a chuva. Saudades de sentir falta. Sentir falta é sentir saudade. Saudades de alguém. Saudades de mim. Saudades de ser feliz.


segunda-feira, novembro 14, 2011

O vazio nocturo de Évora

  Ontem após uma reunião e alguma conversa com os meus colegas na igreja do Espírito Santo, caminhei com uma colega que conheci recentemente até às Portas de Mouras, onde daí segui sozinha em direcção a casa, passando pelas ruas e travessas do centro histórico de Évora. Foi das poucas vezes que me encontrei aquela hora, sem efeito nenhum causado no meu corpo, estava completamente sóbria e sã.

   No meu caminho de pensamentos para casa, encontrei uma grande amiga, já alegre de facto e a andar um pouco torta. Abracei-a, senti o calor da amizade das pessoas que conhecemos aqui em Évora, e que são pessoas que vão ficar comigo o resto da minha vida. E assim pintei um cenário colorido das coisas boas que esta Universidade me trouxe. Pouco mais a frente, em direcção à zoca, encontrei um rapaz a passear o seu amigo de quatro patas, e senti nesse instante saudades do meu cão... mais uma coisa que Évora me trouxe, sentir muita saudade dos que nos são especiais, que nos acompanharam ao longo da vida.
Continuando, cheguei à praça do giraldo, onde apenas encontrei o polícia, e duas pessoas sentadas uma em cada banco. Aqui senti o frio da noite, o vazio da cidade, as tristezas que também já aqui passei, mas que com elas levo uma lição para a vida. Entrando na rua da moeda em direcção a casa, numa travessa perpendicular encontro um homem a aliviar a sua bexiga, claramente bêbedo. Para mim, isto significa que não são apenas os estudantes causadores de toda a podridão que acontece nesta cidade.

   Por fim, chego a casa a ouvir as cinco baladas da Sé e pensei no que faltava neste meu caminho. Na Sapatada, o meu inicio de "vida" aqui e consequentemente na Queima das Fitas. Orgulho-me de pertencer a esta nossa academia, e que todos nós chegamos até aqui, porque todos juntos nós Estudantes conseguiram que isto se mantivesse, que estas ruas e travessas, que esta cidade, que esta Universidade seja guiada por nós e iluminada pela Tradição!
Saudações estudantis ;)

Texto escrito em 12 de Novembro de 2009 às 13:52.

sábado, novembro 12, 2011

Menu de sábado!

Hoje é sábado e tive tempo de me dedicar à cozinha :) Adoro cozinhar e já tinha saudades de passar um tempo na cozinha a confeccionar algo saboroso. Como tal, efectuei o seguinte menu:

Entradas:
- Tâmaras com bacon
- Castanhas assadas no forno.

Prato Principal:
- Frango no Forno à nês com batata doce frita e salada primavera - aqui

Sobremesa:
- Bolo linês- aqui

As receitas encontram-se no blog :) Espero que gostem!

Saudações gulosas :)

Frango no forno à nês

Gosto muito de frango e é uma carne que dá para fazer de variadíssimas maneiras. Hoje, aqui vai uma delas no forno, com um tempero que eu inventei :) Espero que gostem.

Ingredientes:
- 2 limões
- Vinho branco
- Pimentão
- 5 alhos
- Pimenta preta.
- Caldo knorr galinha
- Sal
- Azeite
- 2 cebolas grandes
- Alecrim
- Tomilho
- Um frango inteiro

Preparação:
- Esmagar os alhos e reservar. Fazer agora o preparado para o tempero. Desfazer o caldo knorr em vinho branco, adicionar o sumo de 1 limão, uma pitada de pimenta preta, uma colher de sobremesa de pimentão e os alhos esmagados. Reserve. Num tabuleiro preferencialmente de barro, colocar o frango sobre uma "cama" de rodelas de cebola. De seguida, dar uns golpe no frango, espremer um limão em todo o frango, adicionando sal se gostar de um tempero mais acentuado (relembro que o caldo knorr já tem sal). Dentro do frango, colocar um raminho de alecrim, de tomilho e os pedaços de limão. Agora, colocar com um pincel de cozinha, o preparado em todo o frango, para absorver bem. Colocar a restante cebola às rodelas por cima do frango e regar com um pouco de azeite. Levar a forno médio, previamente aquecido. O tempo de cozedura é subjectivo, uma vez que depende da potência do forno e do tamanho do frango. Caso o frango seja muito grande, passado 30minutos, retire e parta aos bocados, que irá assar muito mais rápido.
Dica:
Eu acompanhei com batata doce frita e salada primavera. Pode acompanhar também com arroz branco.

Batata doce frita:
-Cortar a batata às rodelas com casca e fritar. No fim colocar oregãos.
Salada primavera:
- 2 tomates, uma maçã, meio pimento, uma cenoura, agrião e coentros. A maçã costumo usar com casca.








Saudações apetitosas :)


Bolo linês

Mais um receita gulosa aqui no meu querido diário. Este bolo é um bolo muito fácil de fazer, pois faz-se na liquidificadora chama-se linês porque é de limão ou de laranja. Este bolo dá para fazer substituindo a laranja pelo limão e o meu voto vai para a laranja.

Ingredientes:


- 4 ovos
- 2 chávenas de açucar
- 2 chávenas de farinha
- 1 chávena de óleo.
- 1 limão
- Fermento


Preparação:

Colocar na liquidificadora os ovos, o limão inteiro partido aos bocados (atenção em retirar os caroços antes) e triturar. Adicionar o açúcar e o óleo e voltar a mexer. Colocar este preparado numa tigela e adicionar a farinha com o fermento. Para quem gostar, colocar umas rapas de chocolate, para cortar mais o ácido do limão. Untar uma forma com farinha e açúcar. Este é um pequeno "truque", pois assim o bolo fica estaladiço por fora, no entanto não se deve fazer em bolos onde a massa seja pesada. Colocar em forno médio, demora cerca de 30minutos.

Dica:
Para quem é guloso, no fim pode regar o bolo ou as fatias do mesmo, com chocolate derretido a gosto, fica muito bom, acompanhando também com chantilly. Outra opção é picar o bolo com um palito e regar com calda de laranja quente.

Calda de laranja:
- Misturar o sumo de uma laranja com o açúcar e leve ao lume até engrossar um pouco.

Saudações doces :)

quarta-feira, novembro 09, 2011

For one moment our lives met, our souls touched!


Não podia deixar de partilhar este vídeo, que um amigo me deixou num comentário aqui no blog. Achei simbólico fazerem algo assim. Seja lá que simbologia possa ter, nas cabeças de qualquer um de nós, tenho certeza que é qualquer coisa de bom.

For one moment our lives met, our souls touched! - Oscar Wilde

sábado, novembro 05, 2011

The past always matter!

The farther backward you can look, the farther forward you are likely to see - Winston Churchill.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Ted


   O pequeno grande Ted, o meu cão. O amor da minha vida. Valeu a pena passar metade da minha vida à espera de te ter, à espera do momento em que o meu pai me surpreendeu e entraste lá em casa com o rabinho entre as pernas. Eras um doce, com pelinho de lã com apenas 3 meses. Ainda me cabias nos braços e gostavas que te pegassem ao colo. Amei-te desde o primeiro momento que te vi. Sem tirar nem por, és o amor da minha vida.

  Foram grandes tardes passadas enquanto esburacavas a relva, puxavas roupa do estendal, ou simplesmente arrancas as plantinhas que plantávamos, pequenos pedaços de asneiras que fazias, que tanto nos irritavas como nos fazias sorrir. Eras um comilão. Bebias ainda leitinho misturado com água, comias ração de pequenos flocos e no fim de isto tudo trazias a tacinha na boca para perto de nós a pedir mais comida e, nós dávamos. Mesmo assim, ainda conseguias ir sorrateiro enfiar a cabeça dentro do saco da ração e comias sem parar, tínhamos de te tirar de lá. Sempre achei que o teu estômago é um poço sem fundo. Os passeios de trela não eram fáceis, apenas querias passear comigo e eu tinha todo o gosto nisso. Eras medricas e tinhas medo dos outros cães. Tinhas desde cedo as orelhas bem espetadas, mas demoras-te muito tempo para levantar a pata para fazer xixi. Lembro-me quando te bati pela primeira vez por não me obedeceres e rosnares, logo de seguida fui enfiar-me no quarto a chorar por te ter batido. Lembro-me também do susto que apanhei quando mergulhas-te no rio e te deixei de ver. Lembro-te de ires para a escola de treino aos seis meses e de seres dos mais inteligentes. Lembro-me que te sentavas de lado nas primeiras lições. Gostavas de morder, levavas os chinelos contigo e eu achava piada. Entre outras coisas, este foi um pedaço da tua infância.

    Cresceste rápido. A tua lã foi embora e deu lugar a um pêlo preto e amarelo clarinho, deixas-te de ser tão escuro. És lindo, sempre foste. Queria que ainda fosses pequenino hoje, mas amo-te na mesma. Continuas brincalhão e és inteligente. Hoje és um membro da família e tratado como tal. És um cão mimado. Neste momento deves estar no sofá, consolado a dormir, talvez até de patas para o ar. Como disse, és inteligente. Percebes imensas palavras e estou orgulhosa de ti, eu acho que percebes tudo o que nós dizemos. A minha vida levou-me para longe de ti e trouxe-me o que sinto agora, as saudades. Saudades do amor da minha vida. As tuas idas ao veterinário tornaram-se uma rotina, sempre tiveste problemas de pele. Quando vais ao veterinário as tuas pernas tremem e mal consegues andar, tens de ir arrastado. Conseguiste assustar-nos a ultima vez que tiveste doente, pensávamos que era algo grave, mas és um cão forte. És e irás continuar a ser. Não gostas de tomar banho. Não gostas que te peguem ao colo nem que te agarrem quando queres dormir. Contínuas comilão e já estiveste bem gordinho. Continuas a gostar de ter a roupa ou os chinelos dos donos perto de ti. Estás sempre perto de nós e não gostas de estar sozinho. Davas a tua vida pela nossa. Defendes-nos sempre que podes. Gostavas de dar e receber beijinhos. Adoras praia e escavar na areia. Adoras rio e nadar nele. Adoras os teus donos. Dormes mais agora e estás mais calão. Estás um ladrão de comida. Não gostas dos piscas do carro, mas não te importas de andar nele. Gostas de abraços e esperas que te abracem. Gostas de ir por o lixo com os donos e fazes o último xixi sempre na rua. Às vezes de noite pedes para te irem abrir a porta. Dormes dentro de casa para não te fazerem mal. Estás mais velhinho e já tens barbinha branca. És aquele que eu sei que me recebe sempre com alegria, feliz por me ver. És o amor da minha vida.

    És aquele que sei que está sempre aí para mim e que sente quando estou triste ou nervosa. Gostas de mim, da Inês. Foste e és o meu companheiro. És o meu melhor amigo. Enches-te a nossa casa de alegria todos os dias e só por isso, isto tudo vale a pena. Sei que não vais estar sempre comigo, mas o tempo que estiveste encheste os nossos corações de alegria e amor. Tiveste sorte em nos ter e nós muita sorte por te termos nas nossas vidas. Deste à nossa vida, mais mil razões para viver e outras tantas mil para te amar. Foste das melhores coisas que nos podia ter acontecido. Tornaste a nossa vida melhor, nem que seja por teres existido nela. És especial. És um companheiro, és leal, és sincero, brincalhão e amigo. És feliz connosco e nós contigo. Foste o meu primeiro cão. Aprendi mais contigo do que com muitas pessoas. És das maiores coisas na minha vida. És o amor da minha vida. És o meu cão.


quarta-feira, novembro 02, 2011

Coração vazio


   Hoje ao olhar pela janela do meu quarto, encontro o anoitecer, o final de mais um dia. Encontro os miúdos a sair da escola, aos gritos, a dar aquele abraço quente aos pais por estarem de regresso a casa, felizes de terminar mais um dia de aulas. Hoje olhei pela janela do meu quarto e pensei no meu futuro, pensei se um dia até poderei abraçar alguém daquela forma. Pensei, que para tal acontecer é preciso alguém do nosso lado, é preciso amor e compreensão, sinceridade e lealdade, paixão e… e tanta coisa! Tanta coisa que hoje é preciso para duas pessoas ficarem juntas e antigamente apenas era preciso uma, a maior delas todas. Mas a maior delas todas implica muitas outras coisas, e não estou aqui para falar de amor. Estou aqui para falar do contrário, hoje não amo ninguém, nem gosto de ninguém.
  Hoje, pela primeira vez na minha vida, tenho um coração vazio. Não sei se é bom ou mau, porque sempre adorei amar, acho que é importante amar e muitas vezes não importa o quê ou quem, acho que só o facto de o sentir, já é bom em muitos aspectos, aprende-se sempre alguma coisa. Mas, hoje tenho um coração vazio e está a ser bom. Estou a ser egoísta, estou a ter o meu tempo todo apenas para mim, mas traz-me muitas outras coisas que eram precisas na minha vida. Tenho um coração vazio, mas não tenho um coração frio.
  Hoje estou sozinha e fizeram-me esta pergunta: “porque não convidas alguém para comer chocolate quente e marshmallows?”. Não convidei ninguém. Não convidei ninguém porque neste momento não existe alguém que me valesse a pena, uma pessoa que me enchesse a alma, mesmo que fosse apenas por um bom momento. Apesar do que eu digo, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”, às vezes nem tudo, às vezes nada, porque por vezes a nossa alma não se encontra preenchida… por vezes até nos esquecemos das coisas que a fazem ser grande. Existem coisas que fazem a minha alma ser grande, pequenas grandes coisas, mas por vezes esqueço-me delas, mas esqueço-me delas apenas por vezes, por momentos e certamente apenas por segundos. Porque a minha alma é maior do que muitos a julgam ser. Hoje preciso de tempo para mim. Mas os meus amigos fazem sempre parte de mim. São e serão sempre pequenas grandes partes de mim. Tenho um coração vazio, mas não tenho um coração frio.
  Não sei se um dia vou encontrar quem me preencha a alma ou consiga até tocar nela, não sei sequer se há almas gémeas. Não sei se existe a pessoa que vou olhar e me vou apaixonar desde o primeiro momento juntos. Sei que até posso não te encontrar nesta vida ou se encontrar não poder ficar contigo. Mas sei que eu existo e existo para viver. Viver com intensidade, viver porque hoje não sei, se irá existir outra vida!

Saudações quentes.

Marshmallows


   No dia 31 de Outubro celebra-se a noite de Halloween, apesar de em Portugal não ser muito comum, noutros países esta noite é vivida com bastante intensidade. No entanto, ao ir às compras com uma amiga minha neste passado dia 31, por volta das seis da tarde, uns miúdos vieram ter connosco perguntar "doce ou travessura?" e eu, quando pensei em doces, lembrei-me logo dos Marshmallows!
   É nesta altura do ano, quando começam os dias de chuva e frio, que penso em assar marshmallows bem coloridos, na lareira ou comer marshmallows junto com chocolate quente, no meu doce lar.

Marshmallows coloridos
  Existem várias histórias da origem dos marshmallows, mas a mais conhecida foi a do marshmallow ter origem no antigo Egipto. Era um doce de mel que foi aromatizado e engrossado com extracto da planta Marsh Mallow (Althaea officinalis). Este doce, serviria também para o alivio da dor de garganta. Mais tarde, no final do séc. XIX, os fabricantes franceses desenvolveram uma maneira de contornar a extracção da seiva da planta Marsh, usando clara de ovo ou gelatina, combinada com o amido de milho modificado, para criar a base de borracha. Alex Doumak criou o processo de extrusão em 1948, onde os marshmallows são extrudados como cilindros macios, cortados em secções e rolados sobre uma fina mistura de amido de milho e açúcar de confeiteiro, permintindo a forma que eles têm hoje.
Marshmallows com chocolate quente

   Esta guloseima é muito popular nos Estados Unidos, onde os marshmallows são colocados num espeto e são assados sobre uma fogueira (criando uma casca caramelizada com uma camada líquida derretida subjacente) comidos com chocolate quente ou tostados entre biscoitos tipo cream-cracker. Existem ainda outras maneiras de usar os marshmallows, tais como em bolos, bolachas, gelados, entre outros.


Doces saudações :)

Fontes:
http://blogs.smithsonianmag.com/food/2011/01/its-a-marshmallow-world/

http://en.wikipedia.org/wiki/Marshmallow
http://www.madehow.com/Volume-3/Marshmallow.html