Diário d'Inês

segunda-feira, abril 14, 2014

Hoje e sempre, pelos animais!

Querido diário,

Não só porque é hoje, mas porque foi um dia especial. Não só porque não escrevo há meses sem me lembrar quase que existes. Mas hoje existiu um acontecimento que quero partilhar. Hoje e sempre, pelos animais.
Hoje de regresso a casa, encontrei um cão vadio a caminhar à beira da estrada, como existem muitos. Mas hoje, decidi ir ao encontro dele, hoje não consegui apenas seguir o caminho para casa como se quase nada fosse. É triste ser nestes "quase nadas" que muitos vivem ou mesmo no nada. Hoje parei, não apenas por pena, mas por achar que ele não merecia aquilo, como nenhum merece. Agora podem dizer, e as pessoas não merecem? Não sei, não estou aqui para falar de pessoas, de pessoas já existem muitos para falar.
Hoje decidi parar porque não era apenas um cão vadio no seu passeio. Era um cão manco, quase sem pêlo nenhum e parecia velhinho. Voltei atrás com o carro, encostei e procurei-o. Quando fui ao seu encontro, era um cão manco, apenas com pele, de barriga inchada, testículo inchado, crostinhas perto da cabeça e magro que se via os ossinhos todos atrás. Como se não bastasse, tinha um medo enorme de pessoas. Não consegui tocar-lhe, ele fugiu. Decidi seguir de carro e tentar apanhá-lo mais à frente. Não consegui sozinha. O cão apenas continuava a andar e andar à beira da estrada. Tentei mais uma, duas, três, quatro vezes... O cão passava e ninguém olhava, como se passasse despercebido, em hora de ponta. Tentei contactar alguém que me ajudasse, nada consegui e perdi-o de vista.
Perdi-o de vista de lagrimas nos olhos, mas não foi sozinho, levou um bocadinho de mim e eu fiquei com um bocadinho dele. Sei que a probabilidade de ele ser ainda feliz é muito pouca. Mas, tenho esperança que alguém o encontre e o ajude. Neste mundo ainda há pessoas boas e essas pessoas são ricas para ajudar. Não ricas por terem dinheiro, mas ricas porque têm outros valores que alguns não conseguem ter, apesar de todos termos capacidade para o mesmo. As capacidades são aquilo que quisermos fazer delas.
Existe sempre a esperança de um dia tudo mudar e chegar a altura de pensar mais nos animais. E as pessoas? Nas pessoas, muitos já deveriam pensar e muitos já pensam bem ou mal. Meus caros, o ser humano tem capacidade para pensar em mais que uma coisa aos mesmo tempo e até mais que duas, portanto e os animais?
Um animal de estimação é para ser parte da família e estar no seio da mesma e é nisso que se deve pensar com a sua chegada a nossa casa. O animal não é para ser a ajuda no momento certo, não é para servir de consolo, não é para servir de alarme para ser guarda, não é para estar acorrentado sabe lá deus a fazer o quê. Um exemplo de que, existem psicólogos que tratam depressões e sistemas de alarme que guardam as casas. Já sem falar de outras tantas coisas ligadas a outras tantas áreas.
Se não têm condições não os tenham, se gostam deles não os deixem, não desistam, denunciem os maus tratos, tenham esperança. As coisas fazem-se aos poucos e o não fazer nada não é solução mas é sim o problema. O problema de isto continuar é as pessoas passarem por lojas e não reclamarem, é verem maus tratos e nada dizerem, é o chamado compactuar com estas situações. É tão ladrão o que entra no banco, como o que fica à porta. Um telefonema, um e-mail, pode salvar muitas vidas. Às vezes, não se salva, às vezes não se chega a tempo, mas acontece em tudo nas nossas vidas.
Na vida, todos temos capacidades para ajudar e acarinhar, a recompensa de o fazer é enorme. Seja que ajuda for, volta sempre para nós de alguma forma. Mas não é a pensar no futuro que se ajuda, é porque quando se ajuda, desperta um sentimento de euforia, de satisfação indescritível, que apenas sabe quem o faz e quem o consegue fazer. Agora, não falo apenas de animais. Mas, hoje é apenas para eles, os animais são parte das nossas vidas e parte deste mundo. Vamos fazer todos, com que este mundo seja um bocadinho melhor... Hoje e sempre, pelos animais!



Saudações carinhosas.