Diário d'Inês

quarta-feira, agosto 19, 2015

No meu mundo

Querido diário,

Em que mundo ando eu que não sei os passos que dou.
A terra que piso, o vento que me toca.
Em que mundo ando eu quando sinto sem nada sentir.
Sem sentir o toque, a alma que me pertence.
Em que mundo ando eu...
Quando quero correr sem ter destino, quando quero gritar até que a voz me doa.
Quando o mundo dá a volta e cada volta um recomeço.
Em que mundo ando eu, quando não ouço a minha voz.
Quando quero gritar e nem falar consigo.
Quando consigo fingir a dor de que nada sinto.
Quando preciso de um copo de vinho tinto.
Em que mundo ando eu, quando dou aquele passo em frente.
E quando sinto tudo aquilo que não quero sentir.
Em que mundo estou eu...

sábado, agosto 15, 2015

Ontem, ao final da tarde..

Querido diário,

Ontem ao final da tarde na praia, dei uns passos em direção ao mar. Sentir a vida e o passar de mais um dia. Um dia onde tens certezas. Certezas de que estar solteira não é estar só. De que não é estar triste. De que não é a opinião de quem não te quer bem. E que o importante na tua vida são as tuas certezas. De que todas as tuas escolhas te levaram ao lugar certo, à terra que pisas. De que nada acontece por acaso. De que tudo tem um certo sentido. De que tudo - as lágrimas e os sorrisos – fazem parte do que és e do que ainda vais ser. De que o que te faz sorrir não é ter alguém na tua vida mas ser alguém na vida. E do que ainda queres ser. E mesmo que faça vento ou semeies uma tempestade, quando apontas a seta da vida no sentido dos teus sonhos, nada a faz mudar de direção.

E assim senti, a forte brisa do mar na minha face, a água fria nos meus pés e a vontade louca de mergulhar. O melhor que a praia tem, o frio que me faz tremer mas que tanto gosto de sentir. Sentir que todos os dias são dias para viver. Olhar o horizonte, ali onde o sol se põe. E onde há todos os dias um novo recomeço. Uma nova vontade de viver. Pensar que não me falta nada, ou quase nada. Porque todos os dias me apaixono, pelas coisas mais pequenas da vida.


sábado, agosto 08, 2015

Corpo e Alma

Querido diário,

O despertar de ti pode ser tão fácil. E pode ser tão difícil. Depende do estado da tua mente. As emoções que sentes, os passos que dás na tua vida, o vento que te sopra na face. Os segredos que guardas, os segredos que partilhas. A tua alma escondida quando não queres gritar o que desejas para mais ninguém. O que viveste e o que ainda queres viver. E queres viver contigo. Saber os teus medos, desejos. Encontrar-te. Mais que encontrar alguém. Por vezes ou até de repente, a vida pode mudar o sentido. Quando sentes o bater do coração quando te tocam, quando pode ser o despertar da tua alma. Não queres dar de ti. Nem todas as pessoas que tocaram no teu corpo, conseguiram tocar na tua alma. Tocar no teu corpo é algo fácil, sem perigo. Com algumas emoções redundantes de um desejo que ele te pede. Algo que vives o momento e viras a página para te encontrares numa próxima. E é tudo tão simples. Que simplicidade seria se tudo de resumisse ao teu corpo. Mas existe quem pode conseguir tocar na tua alma. De quem pode ter a capacidade de desorganizar o teu mundo. O mundo que tu não queres abrir. O mundo que hoje queres deixar fechado para ti. A verdade, é que nem todas as pessoas precisam conhecer a tua alma. Mas... mas quando o teu corpo e alma se unem, apenas precisas respirar fundo. Respira fundo e sente. Quando fizer sentir, lembra-te, vai fazer sentido.